terça-feira, 9 de março de 2010

terra sem lei

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Brasileiros no Suriname cobram assistência jurídica

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado esteve no país vizinho e explica que a comunidade também quer bancos e escolas brasileiros



Eduardo Azeredo (D) disse que outro pedido é a instalação de escolas e bancos
Rodolfo Torres

A contratação de advogados e defensores públicos brasileiros pelas representações diplomáticas é uma das maiores reivindicações dos compatriotas que moram no Suriname. A informação foi dada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que esteve em novembro naquele país.

Além da assistência jurídica, os brasileiros que por lá moram também se queixaram aos parlamentares da falta de bancos e escolas brasileiros no país. “Deve-se aumentar a atenção aos brasileiros no exterior”, afirmou o tucano, criticando a recente criação de seis embaixadas brasileiras no Caribe. “Ao invés de criar embaixadas onde não tem brasileiro, é preciso aumentar o auxílio aos brasileiros no exterior”, destacou.

Azeredo foi ao país vizinho acompanhado do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), ex-presidente do colegiado atualmente presidido pelo tucano. O senador mineiro explicou ao Congresso em Foco que o confronto entre brasileiros e surinameses na véspera do Natal (na localidade de Albina) apenas confirmou a situação “potencialmente grave” - relatada por autoridades locais – de cerca de 20 mil brasileiros que estão ilegalmente no Suriname. A maioria formada por garimpeiros.

Além do encontro com a comunidade brasileira, Azeredo e Heráclito também foram à Assembleia Nacional do Suriname para a primeira visita oficial de parlamentares brasileiros ao país. O objetivo do encontro foi aprofundar a relação entre os dois países.

Contudo, os senadores brasileiros ouviram do vice-presidente do Parlamento surinamês, Caprino Alendy, um relato preocupado sobre os garimpeiros brasileiros ilegais. “Nossa população é inferior a meio milhão de habitantes, e existem 20 mil brasileiros no Suriname. Isto é alguma coisa”, afirmou Alendy, de acordo com a Agência Senado.

A preocupação foi reforçada por Rabindre Parmessar, outro parlamentar do Suriname. “Os garimpeiros estão em uma situação difícil e precisamos, os dois países, chegar a um entendimento sobre esse assunto, até mesmo de um ponto de vista humanitário.”

Anistia a imigrantes ilegais

No encontro com os surinameses, Azeredo lembrou que o Congresso brasileiro havia aprovado um projeto de lei que anistiava os imigrantes que estavam ilegalmente no Brasil.

Sancionada pelo presidente Lula no início de julho deste ano, a lei chegou a ser classificada pelo petista como “uma lição” ao “chamado mundo desenvolvido”. “Enquanto eles estão perseguindo os imigrantes, enquanto eles estão tentando passar para a sociedade de que parte do desemprego quem sofre em primeiro lugar é o imigrante, no Brasil nós assinamos uma lei dando um reconhecimento aos imigrantes brasileiros”, afirmou o presidente.

“Na verdade, o que nós fizemos foi dizer para os imigrantes: vocês são nossos irmãos, vocês estão aqui para ajudar o Brasil a crescer, até porque o Brasil é um país que foi construído por imigrantes, ou seja, essa mistura de portugueses, índios, europeus, africanos é que deu ao Brasil essa coisa maravilhosa que é o Brasil”, complementou.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Suriname fala holandês e pratica hinduísmo na América do Sul
País vizinho sofreu grande fluxo de imigrantes indianos; politicamente, história recente é conturbada

fonte : estadao.com.br

Um país sul-americano, que fala holandês e cuja religião majoritária (27,4%) é o hinduísmo. Esse é o Suriname, país vizinho que ganhou o noticiário nos últimos dias, por conta de um suposto ataque contra um grupo de brasileiros que vivia na cidade de Albina, na fronteira com a Guiana Francesa.

Ex-colônia holandesa, o Suriname passou por períodos de dominação inglesa até 1815, quando a Holanda consolidou seu controle sobre o território. Essa alternância de ingleses e holandeses na colonização foi responsável pela imigração de cerca de 35 mil indianos, entre 1873 e 1917, que hoje tem influência marcante na sociedade do Suriname.

Para se ter uma ideia, 27,4% dos surinameses professam o hinduísmo, contra 25,2% de protestantes, 22% de católicos, 19,6% de muçulmanos e 5% de crenças indígenas. A composição étnica também chama a atenção: além dos indianos, imigrantes indonésios, da ilha de Java, também representam parcela significativa da população - o que explica o alto porcentual de surinameses muçulmanos. Negros e crioulos (miscigenação de negros e brancos) também formam uma parcela importante da sociedade do país. Apenas 2% da população é branca.

Politicamente, a história recente do Suriname é conturbada. Colônia holandesa até 1975, o país sofreu um golpe militar em 1980, a poucas semanas das eleições presidenciais, sendo declarado uma república socialista. Não faltaram acusações de que o golpe interessava ao regime de Fidel Castro em Cuba, e que poderia trazer o conflito entre Estados Unidos e União Soviética para a área de influência do Brasil.

Embora o cargo de presidente do país tenha sido mantido, quem se tornou governante de facto após o golpe foi o líder militar Desiré Delano Bouterse, conhecido como Dési Bouterse. Após sua deposição, no início dos anos 1990, o ditador foi acusado de envolvimento no tráfico internacional de drogas e armas, num esquema que teria a participação da guerrilha colombiana e quadrilhas brasileiras. Bouterse foi condenado na Holanda, país que era a porta de entrada da droga na Europa, e tem mandado de prisão expedido pela Interpol - mas vive em liberdade no Suriname.

Bouterse também é acusado de comandar o fuzilamento de 15 líderes civis, opositores da ditadura, em dezembro de 1982, no episódio que ficou conhecido como "Assassinatos de Dezembro". Ele nega participação no episódio, mas assume a responsabilidade política pelo fato.

Apesar das críticas ao "socialismo" de Bouterse, o regime surinamês obteve apoio do regime militar brasileiro, que forneceu apoio logístico na luta contra guerrilhas nacionalistas que ameaçavam o domínio dos militares no país vizinho. Nesse contexto, em 1986, a mesma Albina em que brasileiros foram vítimas de violência no último dia 25, teria sido palco de um ataque contra um helicóptero civil brasileiro, perpetrado por guerrilheiros contrários ao regime de Bouterse. O aparelho estaria transportando militares brasileiros, que faziam o reconhecimento de um braço do rio Litani.

Brasileiros no Suriname

A presença de brasileiros no Suriname, atualmente atraídos pelo garimpo do ouro, já foi estimulada também pelo contrabando, no período colonial. Reportagem do Estado de 1971 esmiuçava como era feito o embarque de mercadorias do Mercado Comum Europeu no porto de Paramaribo, na então Guiana Holandesa: "Para Paramaribo quase sempre os barcos (brasileiros) levam café, que não precisa de documentação no porto livre. A volta é feita com produtos do Mercado Comum: televisões, bebidas, cigarros, roupas e relógios."

site da embaixada

http://www.brasil.org.sr/

sábado, 16 de janeiro de 2010

Brasileiros perderam tudo em conflito no Suriname, relata enviado da TV Globo

Vítimas de ataque deixaram tudo para trás em Albina, diz enviado.
Ouça o relato do repórter Júlio Mosquéra, direto de Paramaribo.

Do G1, em São Paulo
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Foto: Reprodução / Arte G1 Mapa mostra a localização da capital do Suriname, Paramaribo, e da cidade de Albina, local dos ataques (Foto: Reprodução / Arte G1)Em Paramaribo, capital do Suriname, o clima entre os brasileiros que se preparam para voltar ao Brasil é de tristeza e revolta, relata o enviado especial da TV Globo ao país, Júlio Mosquéra (clique no player acima para ouvir o boletim).



Muitos dos que foram vítimas do ataque por um grupo de quilombolas, conhecidos como marrons, na véspera do Natal, resistem a retornar ao país.



Leia mais notícias sobre as agressões



Isto porque, afirma o repórter, "eles não apenas foram agredidos brutalmente como também perderam tudo". "O que tinham ficou em Albina. É um retorno difícil em que eles sabem que vão ter que recomeçar a vida. Por isso mesmo muitos brasileiros preferem continuar por aqui", diz Mosquéra.



Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou às 12h40 desta quarta-feira da Base Aérea de Brasília em direção ao Suriname, com o objetivo de resgatar um grupo de brasileiros que pediu ajuda para deixar o país.



Insegurança em Albina

O clima em Albina ainda é tenso. A cidade, que fica a 150 km de Paramaribo, capital do Suriname, ainda não está receptiva aos brasileiros. "Conversei com o chefe de policia da cidade, ele disse que ainda não tem condições de dar segurança para que os brasileiros retornem ao dia a dia da cidade", relata o repórter.


"Os marrons, que são os surinameses nativos da região, dizem abertamente que este conflito com os brasileiros pode ainda trazer mais problemas se eles retornarem para onde trabalhavam antigamente. O que se espera agora é que a situação se apazigúe e só depois disso os brasileiros tenham condições de retornar", diz. Cerca de 150 brasileiros deixaram a cidade e foram para Paramaribo.

os feridos no hotel Conforto em Paramaribo